Meu filho encontra-se no espectro do suicídio: possui pensamentos, desejos, e/ou tentativas suicidas?

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De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o suicídio é um ato intencional, portanto consciente, para acabar com a própria vida. Já as tentativas de suicídio se caracterizam como atos também intencionais de autoagressão, mas que não resultaram em morte.

A intenção de morrer, portanto, é elemento-chave em ambas as definições. Mas vale ainda considerar que há uma espécie de espectro suicida, que inclui o suicídio propriamente dito, as tentativas e, além disso, também as ideações e desejos suicidas.

As ideias ou desejos vão sendo construídos com o decorrer do tempo, na vida de uma criança ou adolescente. Nenhuma criança escolhe a morrer e trazer a decisão de tirar a própria vida de uma hora para outra.

Portanto, é preciso desmistificar a ideia de que a criança não comete suicídio ou não pensa sobre isso, até por que vivenciam situações que podem ser consideradas fatores de risco, envolvendo seu contexto de desenvolvimento, suas relações parentais, escolares e comunitárias.

Estressores externos e violência, como crises econômicas que causam impactos em muitas famílias (dentre esses o desemprego) e violência contra crianças também podem contribuir para a incidência de suicídio infanto-juvenil.

O abuso físico da criança, violência sexual, abuso de substâncias alcóolicas em adolescentes, abuso de drogas, estresse pós-traumático, transtornos de ansiedade, história familiar positiva para o suicídio e comportamento agressivo e/ou impulsivo, questões geográficas, depressão e a influência da mídia, são também considerados possíveis desencadeadores do espectro suicida.

Na internet as informações pró-suicida estão disponíveis em sites, chats, fóruns e grupos de discussão e, portanto, podem influenciar pessoas mais jovens por meio do encorajamento, da idolatria ou de pactos de suicídio. Existem também, informações detalhadas de métodos com descrições de formas letais e venda ilegal de remédios. Via internet também existem pessoas vítimas de cyberbulling que vivenciam instabilidade emocional, isolamento e falta de esperança na própria vida.

Jogos virtuais também ativam sentimentos de desafios, que podem ser observados pela expressão de sucesso ou frustração exibida pelo jogador, roubando-lhe a individualidade, massificando-o e induzindo-o a comportamentos que podem levar ao suicídio.

Como prevenir? A simplicidade da resposta envolve a complexidade das atitudes, ou seja, a de desenvolver a percepção para os sinais de alerta, uma vez que ninguém escolhe a morrer e trazer a decisão de tirar a própria vida da noite para o dia.

É preciso ter olhos para ver e ouvidos para ouvir, sem minimizar o que se mostra por si mesmo. Às vezes, algo irrelevante para um adulto pode ser vital para uma criança ou adolescente.

Muitas vezes em suas conversas e pensamentos os pais podem notar um motivo para alarme.  Mas é preciso ter olhos para ver e ouvidos para ouvir, sem minimizar o que se mostra por si mesmo.

Portanto, é preciso prestar atenção aos seguintes aspectos:

  1. nas diversas formas de expressão da criança ou do adolescente, entre elas, a música que ouve, as pinturas que faz e as redações que escrevem, podem servir como sinais para os pais de que algo está errado,
  2. nos tipos de brincadeiras dizer “adeus”. Nas despedidas sem fim e na necessidade de terminar todos os seus assuntos mais rapidamente possível,
  3. nas discussões e reflexões da criança ou adolescente que são absolutamente inútil para qualquer um, que, se eles se forem, ninguém vai estar procurando, e nem sequer notar a  ausência,
  4. na distribuição das coisas favoritas e mais valiosos das quais, nunca tinha se separado,
  5. nas discussões sobre o suicídio, com foco em filmes ou notícias que envolvem essa temática,
  6. no desejo excessivo de privacidade,
  7. na dependência da internet, de jogos compulsivos ou das drogas,
  8. na rivalidade entre irmãos e amigos,
  9. nas perdas vividas, quer seja de animais de estimação, pessoas da família, amigos,
  10. na separação do primeiro amor,
  11. no stress familiar ou escolar,
  12. em sintomas depressivos prolongados,
  13. nos sentimentos de culpa vivenciados devido a desavenças familiares,
  14. na violência doméstica,
  15. na forma como uma gravidez na adolescência pode estar sendo encarada,
  16. nas dificuldades com desejos e experiências sexuais, que podem gerar rejeição social e familiar, como a homossexualidade, etc.

Suicídio pode ser também considerado como um tipo de protesto.  É preciso prestar atenção as frases: “Minha vida não tem sentido”, “Pensei em pular da janela”, “Hoje me cortei um pouco para ver o que sinto”, “Não vou mais dar trabalho”, e buscar com quem as emitiu, o significado que elas contêm.

Tentar negligencia-lo pode ser fatal.

Mas é compreensível que os pais tentem mascarar o medo arrepiante da possibilidade de suicídio. Mas cuidado, a indiferença simulada, pode ser percebida como uma confirmação e prova de que se é absolutamente inútil para ninguém, inclusive para seus pais.

Enfim, uma criança ou adolescente que tentam ou cometem suicídio estão em sofrimento psíquico que precisa ser identificado pelo seu contexto familiar ou educacional.

Mas lembre-se de que os primeiros sinais de alarme pode ser um simples detalhe, mas que pode colocar fim a uma vida.

A ajuda de profissionais como um psicólogo infantil ou psiquiatra é fundamental. Reconhecer os limites é de grande valia.

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